terça-feira, 5 de dezembro de 2017

CPT-RO, lança Atlas de conflitos na Amazônia



Nesta próxima quarta-feira (06), a Comissão Pastoral da Terra em Rondônia apresentará o Atlas de Conflitos da Amazônia, construído pelos agentes e comissões nos estados da Amazônia legal.

Essa região tem destaque no aumento da violência no campo no Brasil nos últimos anos, em 2016, foram registrados 61 assassinatos por conflitos no campo no país, sendo que 48 destes assassinatos ocorreram na Amazônia Legal. Neste ano de 2017, já foram registrados 64 assassinatos em conflitos no campo, até o momento, sendo 49 nessa região.
Em Rondônia, foram 21 assassinatos por violência no campo e já somam 16 casos em 2017. É o segundo estado da amazônia com o maior número de conflitos no campo e com maior número de famílias envolvidas, num total de 191 conflitos e 17.099 famílias.

A partir de um alinhamento técnico com o Centro de Documentação Dom Tomás Balduino, da CPT, e com a assessoria do geógrafo e professor da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes-MG), Gustavo Ferreira Cepolini, cada regional da CPT contribuiu no levantamento dos dados e informações para o Atlas, registrando detalhes como: municípios onde o conflito estava localizado, nome da comunidade, número de famílias impactadas, identidade (posseiros, sem-terra, indígenas, quilombolas etc.), com quem disputavam seus territórios, e outros.
Informações: CPT-RO

Serviço:
Apresentação do Atlas de Conflitos na Amazônia
Onde: Auditório da Cúria Diocesana ( Av. Carlos Gomes, 964 – Centro)
Quando: 06 de Dezembro de 2017
Contato: 69 3224-4800 CPT RO - 69-98473-5453




quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Em Rondônia: trabalhadores sem terra são espancados e presos pela Polícia Militar

Em menos de quinze dias, o Estado de Rondônia, através de sua Polícia,  efetiva atos de violências por duas vezes às mesmas famílias, respectivamente, nos dias 14 e 25 de novembro de 2017.  

Os trabalhadores e trabalhadoras, vítimas da violência pertencem ao Acampamento Boa Sorte, os mesmos sofreram despejos no dia 14 de novembro, numa reintegração de posse, de uma área destinada à reforma agrária e colocados num ginásio de esportes na cidade de Candeias do Jamari.

As famílias ficaram por dez dias no ginásio, depois conseguiram um comodato com um agricultor do Assentamento Flor do Amazonas numa região próxima ao antigo acampamento. Como se não bastasse, o despejo, enquanto montavam o novo acampamento no sábado, 25/11, as famílias foram surpreendidas, primeiramente pela Polícia Ambiental e em seguida pela Polícia Militar. Dez pessoas foram detidas e outras foram agredidas pelos policiais, que utilizaram  cassetetes e balas de goma, ferindo diversas pessoas. 

Segundo testemunhas, primeiro uma guarnição da Polícia Militar Ambiental formada por três agentes, sendo dois homens e uma mulher, entraram no local prendendo moto serras, facões, foices, enxadões e outras ferramentas usadas para construção dos barracos, e até mesmo as facas da cozinha comunitária do acampamento. Os agentes,  tentaram deter duas pessoas, gerando a revolta do grupo e sendo impedidos pelas mulheres do acampamento na detenção que desejavam. Os trabalhadores afirmam que os policiais gritavam agredindo os acampados com palavras ofensivas, querendo descobrir quem eram os líderes, e que a resposta obtida era sempre: "O povo é líder!", o que irritava ainda mais os agentes.

Não satisfeitos com a resposta dos acampados, os policiais prometeram voltar, o que fizeram em questão de pouco mais de hora e meia, com cinco viaturas e mais ou menos 20 agentes. Segundo os relatos, os policiais chegaram gritando e exigindo que os acampados se retirassem da área, sem ter apresentado nenhum documento. Diziam que um fazendeiro havia denunciado "invasão de mais uma área por um bando de “vagabundos”!"

Um policial atingiu uma mulher com um soco no rosto, quando ela exigiu respeito e disse aos policiais que não eram vagabundos, nem prostitutas que estavam ali! Foram jogadas bombas de efeito moral, assustando crianças e mulheres grávidas. Houve muita correria, já que os policiais queriam destruir os barracos, e conseguiram ainda rasgar a lona de alguns. Muitos acampados, homens, mulheres e inclusive crianças, foram agredidos com cassetetes e balas de borracha. Os policiais somente se retiraram quando apareceu o dono do local, apresentando o documento da terra e confirmando ter autorizado o grupo a acampar em seu lote.  Uma pessoa com problemas cardíacos passou mal e teve dificuldade para ser atendida.

Dez pessoas foram detidas, a maioria com diversas agressões e feridas, que foram levadas para delegacia, onde foram atendidos por advogados populares, sem que fosse lavrada nenhuma acusação de flagrante. Segundo os acampados, foram examinados porém e lavrado corpo de delito, por causa das lesões recebidas da polícia. Segundo os relatos dos detidos, já soltos, os policiais no trajeto de mais de 59 Km, entre os municípios de Candeias do Jamari e Porto Velho, iam em alta velocidade e aceleravam nos quebra molas durante o percurso.

No dia 15 de outubro os acampados denunciaram que um grupo armado atacou com muitos disparos de pistola, carabina  e  armas  de  grosso  calibre  a  camponeses,   homens  e  mulheres, que  iam  pescar no Rio Preto. Além destes fatos, os acampados também afirmam que seis policiais militares, três de Candeias e três de Porto Velho, fazem  parte das milícias de pistoleiros que realizam vigilância privada clandestina na fazenda de terra, e teriam informações que recebem R$ 150,00 por dia e outro tanto por noite de vigilância. O dono do lote que autorizou a instalação do acampamento recebeu ameaças.

CPT-RO

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Região Norte de Minas Gerais,Barragem de Jequitaí

Barragem de Jequitaí destrói a vida dos atingidos e engana população!!


Isso vem ocorrendo através do Governo Federal e do Governo Mineiro/SEAPA.
Localizado na Região Norte de Minas Gerais, o Projeto Jequitaí compreende uma barragem de 10 mil has e um perímetro irrigado de 35 mil has. A CODEVASF pretende implantar o projeto no Rio Jequitaí, afluente do São Francisco na região Alta/Média do Rio. Este tipo de projeto já foi implantado na região, no período da ditadura militar: Jaíba e Gorutuba. Ambos carregam problemas sócio-ambientais à décadas. A crise da água e o desrespeito aos direitos dos pequenos compõem a tragédia. O Rio São Francisco está numa situação de penúria e a Barragem do Bico da Pedra, que abastece o projeto Gorutuba, está novamente com a cota abaixo do nível permitido para a irrigação.


O projeto também traz falsas verdades: regularização do Rio Jequitaí; abastecimento da cidade de Montes Claros; progresso pra região (pode trazer “progresso” para as empreiteiras, políticos e grandes empresas do agronegócio). Traz muitos problemas: aumento do uso de agrotóxicos, destruição do Cerrado, êxodo rural, comunidades atingidas e reassentadas de forma compulsória, impactos em sítio arqueológico, inundação de terras férteis. Durante esta década, o processo de licenciamento ambiental tem vários e vários “ajeitos” já denunciados em outros momentos.    
A CODEVASF anuncia a retomada das obras para 2018. Para isso tem que resolver os passivos sociais e ambientais.

Desde o início deste processo vem ocorrendo vários conflitos com as comunidades. Os processos de negociação, de forma isolada, criam uma condição desfavorável aos atingidos. Assusta o fato que ainda não existe um cadastro que realmente envolva todos e, os direitos dos grupos estão sendo violados. A SEAPA (Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento do Estado de Minas Gerais) vem fazendo acordos extrajudiciais com os atingidos que serão reassentados sem que as áreas  sejam adquiridas previamente – ou seja, entregam suas terras para o Estado sem saber para onde vão. Também existem contratos de indenização que não foram pagos pela CODEVASF, dentre outras irregularidades.

O CEAS – Conselho Estadual de Assistência Social, após reconhecer que o Plano de Assistência Social/Plano de Negociação tinha uma série de irregularidades e falhas, recomendou que ele seja refeito. A nova presidência do CEAS fez um novo acordo com a CODEVASF que desrespeita a Comissão dos Atingidos e todo o processo construído juntamente com o MPE e MPF.


A situação é muito grave. Solicitamos providências aos órgãos responsáveis. A SEAPA, secretaria do Governo do Estado Mineiro, junto com a CODEVASF, vem pressionando os atingidos e fazendo acordos, desrespeitando o direitos do povo.

Montes Claros, 17 de novembro de 2017
Comissão Pastoral da Terra Minas Gerais

Boaventura de Sousa Santos



           
Do pronunciamento de Boaventura de Sousa Santos, dia 8 de novembro de 2017, após ser agraciado com o título de doutor “honoris causa” da UFRGS.

Vivemos realmente um tempo muito incerto. Fundamentalmente porque é um momento de desimaginação do social. Estamos a desimaginar o social e desimaginar o social é ter um pensamento antissocial do social. É por exemplo, usar uma ideia de responsabilidade coletiva e substituí-la pela ideia de culpa.

É trocar a ideia de solidariedade pela ideia de individualismo; a ideia de cooperação pela ideia da competitividade ou de empreendedorismo. Palavras que são chave do discurso hegemônico que corre por aí. Isso é algo hoje que destrói de fato o cimento da sociedade, porque praticamente torna a sociedade irrelevante para a qualidade de vida das pessoas, para a dignidade da vida coletiva.

 Principalmente, porque se uma classe social não têm qualidade de vida a culpa é dela ou do destino. É por isso que em tempos de extrema polarização da riqueza, prospera de uma maneira inaudita, a teologia da prosperidade, entre gente não próspera. Por quê? Porque o neoliberalismo global nos diz, como disse, entre 2011 e 2015, em Portugal, quando tivemos um governo do mesmo tipo que tendes agora, governo da mesma família global que: Precisamos de austeridade, da privatização da previdência, de cortes salariais, de cortes nos direitos, da destruição da universidade pública e do serviço de saúde, etc... Perpassa um pensamento, neste momento, baseado na ideia de que as classes médias, não só as classes populares, mas também as classes médias vivem acima de suas possibilidades – um grande chavão em Portugal, durante 4 anos. “A gente vivia acima de nossas possibilidades”. Por isso, então, é preciso fazer sacrifícios. Quem utiliza bem a ideia de sacrifício? A teologia. A teologia tem como centralidade o sacrifício. É por isso
que essas religiões conservadoras, a evangélica, sobretudo, e outras pedem obviamente o sacrifício das pessoas. A segunda nota que eu vos queria dar para mostrar a complexidade do nosso tempo é que temos que fazer o caminho inverso o qual propôs Gramsci, Gramsci que foi muito importante como intelectual marxista. O maior problema nas sociedades é que as ideias dominantes têm que ser dominantes também dentro das classes dominadas, senão há muita violência.
Em nossas sociedades as classes dominadas aceitam as ideias dominantes. Aliás, hoje nós vemos isso por todo lado. A perda do social está a permitir exatamente que a hegemonia das classes dominantes seja cada vez maior.

É por isso que as vítimas se viram contra as vítimas. Por essa razão é que as vítimas votam, elegem seus próprios opressores. É a má consciência que se cria através da segunda opção de votos das classes mais baixas desse país: a primeira é Lula e a segunda é Bolsonaro.
Essa falsa consciência cria exatamente essa situação. Temos que fazer o caminho inverso de Gramsci. Ele aponta que não nos devemos centrar somente na dominação, mas também na hegemonia. Instava a que se entendesse a hegemonia. Penso que agora temos que eleger a hegemonia prioritariamente à dominação. O inimigo é cada vez mais invisível.

A dominação não está apenas na brutalidade policial, está nas páginas da TV, por vezes em nossas escolas, está nas nossas ruas, está nos nossos organismos, está nos nossos juízes, no nosso poder judiciário... É exatamente isso que vivemos hoje, de maneira muito intensa e por isso penso que agora nós temos que voltar e olhar muito bem quem nos domina. Tão bem demonstrou o José Vicente, que vivemos não apenas em sociedades capitalistas, mas também colonialistas e sexistas.

É por isso que muita gente se surpreende, porque hoje o racismo voltou  com tanta força. Eu vivo parte do ano nos Estados Unidos. Nunca houve tanto racismo como hoje, nos Estados Unidos. É porque o modo de desenvolvimento capitalista exige a continuidade do colonialismo. É para nós não pensarmos que as independências deram fim ao colonialismo. Terminou o colonialismo histórico, mas continuaram outras formas.

Neste momento essa sociedade está a ser vítima de uma interferência imperialista que eu tenho certeza que não é de conhecimento total. Até que ponto ela é capaz, nesse momento, de varrer da memória dos brasileiros tudo aquilo que foi feito nos últimos 13 anos no sentido de inclusividade. A minha última nota, reforçando que me sinto orgulhoso de a partir de agora ser professor dessa casa, se posso contribuir com meu trabalho através das minhas investigações, pela minha pesquisa. Sou atualmente diretor de um centro científico com mais de 800 pessoas e com 470 jovens doutorandos. Nós só temos alunos de doutorado de muitos países e inclusive, obviamente do Brasil. Como é que nós podemos ajudar exatamente para avançar na compreensão dessa situação em que a gente se encontra e que eu resumo da seguinte forma.


O grande filósofo do século XVII, meu filósofo preferido, Spinoza dizia que, como eu tenho, muitas vezes, me referido: Os dois sentimentos ou afetos fundamentais do ser humano são o medo e a esperança. Deve existir um certo equilíbrio entre os dois, entre o medo e a esperança. Quando não há esperança as coisas são difíceis. Sem esperança não há possibilidades de construir segurança. Em que sociedade estamos de novo a entrar? Estamos a entrar em sociedades, que em muitos países, majoritárias massas enormes da população vivem com medo, sem esperança. E onde, um pequeno grupo, econômica e politicamente muito forte, só vive com esperança, sem medo. Deixou de ter medo que os seus privilégios sejam atacados e destruídos. Deixou de ter medo de ser confrontado e é arrogante. Precisamente, porque só tem esperança sem medo. Enquanto a grande massa das populações vive na espera sem esperança e com medo. Um medo sem esperança leva à resignação.

A desigualdade e a injustiça social por maior que sejam nunca conduziram à resistência sem uma ideia alternativa e uma ideia de esperança. Sem esperança não há possibilidade de construirmos uma sociedade melhor. Portanto, qual é nossa missão democrática? Construir algum medo para aqueles que não têm nenhum. Construir muitas esperanças para aqueles que não têm esperança nenhuma. Eu penso que o trabalho crítico do século XXI tem que ser muito inovador. Não pode ser com as categorias do século XX. Tem que ser muito criativo, muito intercultural. Tem que buscar outras culturas, indígenas, quilombolas, negras, da África, da Ásia. O mundo eurocêntrico no início do século XX era 90% do mundo, hoje é 4% em termos gráficos. Temos que aprender com o mundo e por isso que o projeto que falava o meu querido amigo José Vicente é chamado Holístico.

 Exatamente, a Europa deve aprender com as experiências do outro mundo. O mundo não europeu que foi sempre desprezado por ser menos desenvolvido, por ser “primitivo” e, portanto do qual nada se tem a aprender. Penso que é aí que nós devemos situar a restituição da esperança e a criação de algum medo. Porque se não fizermos isso, vamos ter realimente um tempo muito incerto que passará a ser um tempo distópico. De certa maneira já é distópico. Porque exatamente tem como utopia que não há alternativa para a situação na qual a gente se encontra. O fato de que 8 homens mais ricos do mundo tem tanta riqueza quanto a metade mais pobre da humanidade é um fato e acabou. É um fato neutro, não eticamente repugnante.

Temos que construir a partir daí uma alternativa. Eu estou disposto na minha qualidade agora de professor da UFRGS de contribuir com meus trabalhos, com a minha militância para que possamos seguir por essa via, a qual na verdade é a única que pode levar a uma sociedade mais justa, mais equilibrada. Mais equilibrada com a terra mãe, com a natureza e é isso que eu me proponho fazer, já que esta universidade, que é uma das mais importantes deste país e da América Latina teve a generosidade de me conceder o grau de doutor honoris causa.
Enviado por: "Carlos R. S. Moreira Beto" 

Tribunal Popular condena empresas e Estado




Tribunal Popular condena empresas e Estado por impactos da construção das usinas do Madeira

O evento, aconteceu no Ministério Público do Estado de Rondônia e reuniu várias entidades civis, movimentos sociais, organizações não-governamentais e atingidos pelo megaprojeto das usinas hidrelétricas do Madeira, inclusive do país vizinho também impactado, a Bolívia.
(Fonte: Blog da Luciana Oliveira)

Foi organizado pelo Grupo de Pesquisa Energia Renovável Sustentável – GPERS, Instituto Madeira Vivo – IMV, Movimento dos Atingidos Por Barragens – MAB, Comissão Pastoral da Terra – CPT, Conselho Indigenista Missionário – CIMI, Central de Movimentos Populares – CMP, Aliança dos Rios Panamazônicos e com a participação das pastorais sociais da Arquidiocese de Porto Velho.
A ideia surgiu no II Encontro Sem Fronteiras Brasil, Bolívia e Peru, realizado em agosto de 2016.
Políticos que antes alardeavam o progresso com a construção das usinas – obra investigada no âmbito da Operação Lava Jato – não deram às caras no evento, não foram ouvir as vozes dos que seguem suportando diariamente os estragos.
O Tribunal Popular é uma iniciativa legítima de resistência utilizada em vários países para dar visibilidade ao tema tratado, atrair novos olhares e constranger publicamente os violadores de direitos.
É uma forma de reagir à inércia estatal diante de questões complexas que envolvem as comunidades atingidas.
São exemplos de tribunais populares os que julgaram genocídios ocorridos no Congo, na guerra entre Turquia e Armênia e, mais recentemente, os abusos da Operação Lava Jato e o impeachment da presidenta Dilma Rousseff.
As testemunhas trouxeram histórias de perdas de terra, sustento, amigos, cultura e vidas.
As falsas promessas feitas pelas empresas à vasta e diversa população desta região, no sentido de que as obras do Complexo Hidrelétrico do Madeira seriam a vanguarda do desenvolvimento, do progresso e da distribuição de riquezas, por meio de serviços   públicos   de   qualidade, de   indenizações,  benfeitorias   e   compensações, ficaram evidentes com a realidade apresentada, com riqueza de detalhes, pelas testemunhas ouvidas, de sonhos frustrados.
Observou-se que as 33 Condicionantes apresentadas pelo IBAMA em 2007 para concessão do Licenciamento Ambiental da UHE Santo Antônio, para dar início e impulsionar ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) na Amazônia, serviram unicamente para revestir de legalidade as ações das empresas envolvidas no processo de retirada das populações de seus territórios, enquanto desmatavam; enterravam/sepultavam madeiras; e criminalizavam pessoas, lideranças e movimentos que se opunham à forma violenta de desagregação provocada nas famílias com o processo de remanejamento e recebimento das cartas propostas e das migalhas oferecidas pelos Consórcios Santo Antônio Energia (liderado por Odebrecht e Furnas) e Energia Jirau (liderado pelo grupo franco-belgo Suez Tractebel/GDF Suez).
Alguns programas socioambientais do Plano Básico Ambiental (PBA), condicionantes específicas, tais como: Programa de Apoio às Atividades Pesqueiras, Programa de Remanejamento da População Atingida, Programa de Monitoramento do Lençol Freático, Programa Saúde Pública, Programa de Hidrossedimentológico, vem sendo sistematicamente descumpridos, o que deveria levar o IBAMA a suspender ou cancelar a Licença de Operação, entretanto a conivência prevalece em detrimento do cumprimento das normativas ambientais. Constatou-se que esta prática passiva é comum nos dois empreendimentos: UHE Santo Antônio e UHE Jirau.
Os jurados concluíram que as hidrelétricas e suas barragens não são produtoras de “energia limpa”, por tudo de negativo produzido na vida de famílias, povos e comunidades, do campo, das cidades, da floresta e das águas até o presente momento, razão pela qual, analisadas as provas vivas, com as cicatrizes da exclusão cravadas nos corpos das testemunhas aqui apresentadas, CONDENOU as empresas multinacionais e os governos das três esferas da federação todos os órgãos que participaram do processo de licenciamento das usinas.
São culpadas por semear a destruição e morte de vidas, sonhos e da ecologia vital para o planeta.
O juiz Marco Aurélio, da Bahia, leu o veredito.


terça-feira, 7 de novembro de 2017

Candeias do Jamari-RO: 150 famílias com ameaças de despejos




Mais uma vez a justiça rondoniense está dando preferência à ocupação de terras a grileiros que não precisam de terra para viver, dentro de uma área de terra pública destinada à reforma agrária, ordenando o despejo de famílias que reivindicam a função social da terra de áreas públicas destinadas para reforma agrária.

Neste momento são cento e cinquenta famílias de Candeias do Jamari, a uns 30 km de Porto Velho, capital do estado, que encontram-se ameaçadas de despejo para o próximo dia 14 de Novembro.

Segundo os camponeses, o anúncio a eles foi realizado por meio de um capitão da Polícia Militar,  que lhes disse que estariam disposto a realizar a reintegração nem que o autor não disponha de transporte para as famílias, nem a ação não tenha assistência de prefeitura, conselho tutelar ou assistência social. Segundo o oficial de justiça, a decisão da 8ª Vara Cível de Porto Velho no Processo de Nº 7030302-08.2017.822.0001 ainda pode ser recorrida e ser suspensa.

O grupo de famílias são do Acampamento Boa Sorte, que reivindicam  área de terra pública ás margens do Rio Preto, de mais de cinco mil hectares, grilada dentro da antiga Fazenda Urupá, que foi expropriada para criação do Assentamento Flor do Amazonas. Esta área, apesar de ser terra expropriada para reforma agrária, ainda não foi distribuída depois que a posse foi reivindicada por terceiros sem perfil para reforma agrária: Atualmente um servidor público do governo, um policial, dois advogados e um médico.

No dia 15 de outubro eles denunciaram que um grupo armado atacou com muitos disparos de  pistola,  carabina  e  armas  de  grosso  calibre  a  camponeses,   homens  e  mulheres,   que  iam  pescar no Rio Candeias, em Rondônia. 

As famílias solicitam intervenção da Defensoria Pública do Estado e do Ministério Público do Estado, bem como, um posicionamento do INCRA.

CPT-RO

terça-feira, 31 de outubro de 2017

REGIONAL NOROESTE DA Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil





X ASSEMBLEIA DE PASTORAL REGIONAL           
Irmãos e Irmãs de caminhada na Fé:
Coragem e Confiança!




Do Centro Arquidiocesano de Pastoral - Porto Velho, reunidos aos dias 20 a 22 de outubro, nós Bispos das 7 Igrejas Particulares do nosso Regional Noroeste, junto com muitas lideranças pastorais, movimentos e serviços, saudamos a todas as nossas comunidades. O Tema do nosso encontro foi a ‘Iniciação à vida cristã, itinerário para formar discípulos missionários’, explanado no documento 107 da Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB.

Acolhemos este documento com muita alegria. Esperávamos há tempo por uma inspiração luminosa que pudesse nos indicar um caminho seguro para a transmissão da fé cristã. Quantas vezes a Igreja refletiu sobre a renovação da catequese, surgiram documentos, fizeram-se treinamentos, apelou-se aos catequistas e às comunidades eclesiais! Queremos expressar nossa gratidão a todas as pessoas pelo caminho percorrido até o momento. Porém, é importante ressaltar que a Igreja está sempre a caminho. Como nos diz um canto: “Senhor, quanto mais caminho, mais vejo aumentar a estrada”.

Com o presente documento nossa Igreja amplia o conceito de catequese e desafia os fiéis por toda a parte. Ele mostra que os três sacramentos do Batismo, da Crisma e da Eucaristia formam uma unidade, uma ‘trindade’. Para ser cristão, efetivamente iniciado, não basta se informar e instruir, se preparar para a celebração dos sacramentos. É necessário abraçar um novo projeto de vida. Afinal, o encontro com Jesus Cristo sempre provocou uma mudança de vida. Nosso documento fundamenta esta visão num texto bíblico de sensibilidade especial: No encontro de Jesus com a Samaritana (Jo 4, 4ss) Eis um encontro que transformou a vida de uma mulher e, através dela, mudou a vida e a esperança de uma pequena cidade. Com outras palavras: Uma pessoa tocada profundamente por Jesus Cristo torna-se anunciadora e testemunha da novidade que Ele traz.

No estudo percebemos que o encontro com Jesus Cristo, seja na comunidade viva, seja na meditação da Palavra de Deus, na ação caridosa ou na celebração dos mistérios da Fé sempre precede aos outros passos. Encontrar Jesus Cristo, dialogar com Ele, conhece-lo gradativamente, acolher a maneira como Ele quer se revelar, anunciar aos outros a experiência feita e testemunhar por toda a vida que Ele não é apenas um judeu piedoso e justo, mas o Senhor e Salvador de todos – eis os passos que o texto evangélico indica. Sim a meta é elevada: Transformar nossos catecúmenos em seguidores, anunciadores e testemunhas de Jesus Cristo no meio desta sociedade. Jesus Cristo garante que este caminho há de trazer paz e alegria.

Iniciar outras pessoas à vida cristã vai além da catequese tradicional, ultrapassa as condições de homens e mulheres que, além dos cuidados pela família e pelo trabalho profissional, se colocam à serviço da catequese.  Vai além das condições de uma família comum. Toda a comunidade deve se renovar e engajar na iniciação dos novatos e dos que querem retornar. Pastorais e movimentos precisam falar de sua missão. A liturgia com sua rica simbologia acompanha este itinerário e ajuda a introduzir nos mistérios da Fé... É a Igreja que acolhe e que se compromete com este caminho para uma vida nova que será também o ponto de partida para a renovação da própria sociedade. 

Pensando no Ano do Leigo podemos afirmar que o Leigo dificilmente será ‘sal da terra e luz do mundo’, se não tiver feito este itinerário. Portanto, todo mundo é convidado a fazer ou refazer este itinerário. Nossa melhor contribuição para a sociedade e para o mundo será nossa postura de cristãos autênticos, corajosos, confiantes e proféticos. 

Convidamos a todos que se deixem contagiar por aquele que veio ‘para que todos tenham vida e vida em abundância’!

Porto Velho, 22 de outubro de 2017.





                  REGIONAL NOROESTE DA CNBB:  Integram: Arquidiocese  de Porto Velho, as           dioceses  de CRUZEIRO DO SUL, GUAJARÁ-MIRIM, HUMAITÁ, JI-PARANÁ, RIO      BRANCO, Prelazia  de LÁBREA.


E-mail’s: cnbbno@gmail.com e admcnbbno@hotmail.com